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sábado, 7 de agosto de 2010

Sociedade do Conhecimento I

"Nós fomos educados para viver numa sociedade tipicamente industrial e nós já estamos vivendo ... numa sociedade do conhecimento". "Em 2006, ... a exportação de bens intangíveis nos Estados Unidos superou a exportação de bens tangíveis". "Eu não preciso de caminhão, eu não preciso de navio nem de avião para transportar um bem intangível". "O PAC* está preparando o Brasil para o Século XX!"

Essas quatro frases da parte inicial da palestra de Marcos Cavalcanti (Desafios contemporâneos – o trabalho) no programa Café Filosófico CPFL revelam um pouco da idéia geral, mas não a riqueza de detalhes nem a poesia e engenho com os quais o palestrante conduz a narrativa. Cavalcanti, matemático e doutor em Informática, foi diretor de Tecnologia da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e é coordenador do Crie (Centro de Referência em Inteligência Empresarial) e membro do Board do New Club of Paris, o "desenvolvedor da agenda da Sociedade do Conhecimento".

Não só é uma aula introdutória sobre o que é essa tal Sociedade do Conhecimento (por isso o título deste post), mas é uma aula sobre muita coisa. Para dar seu recado, o professor Cavalcanti fala de escola, do filme Pro Dia Nascer Feliz, do corpo-mole do Ministério Público com as nomeações secretas do Senado ... até de Daniel "No Supremo a gente resolve" Dantas - o que me leva à conclusão deste post. Reconheçamos algum progresso neste Brasil. Ainda que o Supremo pareça estar "na mão" de um empresário superpoderoso, o professor Cavalcanti não parece temer acordar boiando na Lagoa Rodrigo de Freitas. Não estamos na "Venezuela" (comillas, porque esa miseria no es Venezuela). E a CPFL, uma empresa brasileira, se dispõe a promover uma série de eventos** que lembram vagamente as TED Talks (também patrocinadas por empresas) e o "iluminismo do Século XXI" da RSA.

A palestra dura 76m40s, ou 2 h com a sessão de comentários, perguntas e respostas. Dois perguntadores (e não foram muitos perguntadores...) claramente não pescaram (o palestrante foi muito educado mas fica óbvio que responder a quem não entende é um saco), mas estamos no Brasil, que possui a maior e mais eficiente "escola" (no sentido de máquina de destruição de inteligências que treina e condiciona a não entender) da história da Humanidade, pela qual os perguntadores passaram. Veja o vídeo:

* Para os arqueólogos: PAC significa "Plano de Aceleração do Crescimento", nome que parece sugerir a existência de algo pensado e planejado para promover o progresso socioeconômico nacional. Batizou o coletivo de obras do segundo governo Lula (2007-2010).

** Claro, pode melhorar. Seria bom poder embutir (embed) o vídeo, que a busca funcionasse, que o URL não mudasse, que a duração do vídeo fosse declarada, que o vídeo fosse apresentado, contextualizado (aparentemente este vídeo faz parte de um "módulo" coordenado pela filósofa Viviane Mosé, mas isso é elucubração minha a partir de alguns fragmentos que vi e li). Mas essa é a parte mais fácil, que se resolve com tecnologia - basta copiar RSA, Ted Talks, YouTube. A parte mais difícil está feita - há um conjunto bacana de palestras de alto nível.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cognitive surplus: the very idea (useful to approach the K-Society blind) [Excedente cognitivo: a grande idéia (p/ ceguinhos da Soc. do Conhecimento)]

[Post com versão em PT, mais abaixo]

Yet another so worth spreading idea from TED Talks: Clay Shirky discusses what he calls "cognitive surplus" - the free [brain] time available in the world, once destined to waste in sofa surfing (or, at best, to enrich someone's own culture in reading or other positive use of time). Now, with the social web, cognitive surplus is being seen as what it is: an untapped resource (the simplistic view) and a fundament for civism and activism (the more enlightened, encompassing view).

So now you can say to that someone who just can't grasp the reality that knowledge society is here: "Hey, T-Rex! Some folks got filthy rich using free cognitive surplus - Google, YouTube, Twitter, etc." - if money is still the only thing T-Rex understands. Then, if T-Rex falls for that, you can say "See, complex systems are different from what you are familiar with. Shirky talks about this study in daycare centers in which they established a fine for late pick-ups and what happened? Late pick-ups grew, not declined. Not that things are always the opposite you expect, but in a complex world you must be prepared to get answers opposite to your expectation."

That would be a good start. But wait!... if T-Rex is in government, you better forget it. S(He) either already got it or will never get. Well... maybe just send him/her the link to Clay Shirky's TED Talk (below, after Portuguese version):



Eis outra idéia que vale muito espalhar: Clay Shirky discute o que chama de "excedente cognitivo" - o tempo [cerebral] livre disponível no mundo, antigamente destinado ao desperdício surfando (ou babando) no sofá (ou, no melhor dos casos, ao aprimoramento cultural de alguém na leitura ou outra atividade enriquecedora individualmente). Agora, com a Web social, o excedente cognitivo está sendo visto como o que é: um recurso imenso e não usado (numa visão simplista) e um fundamento do civismo e do ativismo (numa visão mais esclarecida e abrangente).

Então agora dá para dizer: "Ei! Dinossauro, uns caras ficaram podres de ricos usando o excedente cognitivo grátis - Google, YouTube, Twitter etc." (se dinheiro for a única coisa que o troglodita entende). Daí, se o dinossauro cair nessa cantada, dá para emendar: "Olha só: os sistemas complexos são diferentes das coisas que você está acostumado a entender. O Shirky falou de um estudo em creches, no qual criaram uma multa para pais que pegam seus filhos com atraso e o que aconteceu? Os atrasos aumentaram, não diminuíram. Não que as coisas vão ser sempre assim, mas num mundo complexo você precisa estar preparado para ter resultados opostos aos que você esperava".

Isso seria um bom início. Mas... espera! Se o dinossauro for gestor público, esqueça. Ou ele/a já entende a sociedade do conhecimento, ou não vai entender nunca. Bem... talvez, pelo menos, mande para ele/a o link da palestra do Clay Shirky nas TED Talks (sempre leva um tempo para aparecer a tradução em legendas, meu chute é que em 10/07/2010 já se possa acompanhar com legendas em português):