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terça-feira, 29 de junho de 2010

Cognitive surplus: the very idea (useful to approach the K-Society blind) [Excedente cognitivo: a grande idéia (p/ ceguinhos da Soc. do Conhecimento)]

[Post com versão em PT, mais abaixo]

Yet another so worth spreading idea from TED Talks: Clay Shirky discusses what he calls "cognitive surplus" - the free [brain] time available in the world, once destined to waste in sofa surfing (or, at best, to enrich someone's own culture in reading or other positive use of time). Now, with the social web, cognitive surplus is being seen as what it is: an untapped resource (the simplistic view) and a fundament for civism and activism (the more enlightened, encompassing view).

So now you can say to that someone who just can't grasp the reality that knowledge society is here: "Hey, T-Rex! Some folks got filthy rich using free cognitive surplus - Google, YouTube, Twitter, etc." - if money is still the only thing T-Rex understands. Then, if T-Rex falls for that, you can say "See, complex systems are different from what you are familiar with. Shirky talks about this study in daycare centers in which they established a fine for late pick-ups and what happened? Late pick-ups grew, not declined. Not that things are always the opposite you expect, but in a complex world you must be prepared to get answers opposite to your expectation."

That would be a good start. But wait!... if T-Rex is in government, you better forget it. S(He) either already got it or will never get. Well... maybe just send him/her the link to Clay Shirky's TED Talk (below, after Portuguese version):



Eis outra idéia que vale muito espalhar: Clay Shirky discute o que chama de "excedente cognitivo" - o tempo [cerebral] livre disponível no mundo, antigamente destinado ao desperdício surfando (ou babando) no sofá (ou, no melhor dos casos, ao aprimoramento cultural de alguém na leitura ou outra atividade enriquecedora individualmente). Agora, com a Web social, o excedente cognitivo está sendo visto como o que é: um recurso imenso e não usado (numa visão simplista) e um fundamento do civismo e do ativismo (numa visão mais esclarecida e abrangente).

Então agora dá para dizer: "Ei! Dinossauro, uns caras ficaram podres de ricos usando o excedente cognitivo grátis - Google, YouTube, Twitter etc." (se dinheiro for a única coisa que o troglodita entende). Daí, se o dinossauro cair nessa cantada, dá para emendar: "Olha só: os sistemas complexos são diferentes das coisas que você está acostumado a entender. O Shirky falou de um estudo em creches, no qual criaram uma multa para pais que pegam seus filhos com atraso e o que aconteceu? Os atrasos aumentaram, não diminuíram. Não que as coisas vão ser sempre assim, mas num mundo complexo você precisa estar preparado para ter resultados opostos aos que você esperava".

Isso seria um bom início. Mas... espera! Se o dinossauro for gestor público, esqueça. Ou ele/a já entende a sociedade do conhecimento, ou não vai entender nunca. Bem... talvez, pelo menos, mande para ele/a o link da palestra do Clay Shirky nas TED Talks (sempre leva um tempo para aparecer a tradução em legendas, meu chute é que em 10/07/2010 já se possa acompanhar com legendas em português):



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

VI Workshop do EGC: concept clouds

O Workshop anual do EGC (Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC) é um evento interno no qual são apresentados temas de interesse da engenharia, da gestão e da mídia do conhecimento desde pontos de vista de organizações públicas e privadas e de pesquisadores externos ao Programa. Também discutimos o que fizemos, o que vimos fazendo e os rumos que seguimos. Na página do VI Workshop (2-4/12/2009) há detalhes sobre a programação, palestrantes etc.

Este blog post é dedicado a uma curiosidade e a uma constatação, ambas típicas do fenômeno Web 2.0. A curiosidade é a evolução das nuvens de termos (concept clouds, construídas com o Wordle) usados pelos (cerca de 60) alunos ingressantes no Programa em suas propostas de tese ou dissertação construídas e submetidas à crítica dos pares nos Seminários de Pesquisa mandatórios e prévios ao Workshop. Eis a nuvem de conceitos para as propostas dos ingressantes em 2007 (clique sobre a figura ou abra em outra janela se quiser enlarguecer).


Não poderia ser diferente: o objeto de pesquisa do programa, o conhecimento como fator de produção, deu origem ao termo mais intensamente usado. Ainda não se falava tanto em TVD, mas "digital" aparece como um dos 150 termos mais usados (em vermelho, na parte inferior centro-esquerda da figura) exceto stopwords. Em 2008, na figura a seguir, nota-se um pequeno crescimento relativo de "conhecimento". "Digital" (em azul, à direita de "pesquisa") também cresceu e agora aparece "tv" (à esquerda, entre "conhecimento" e "pesquisa").


Em 2009, o tamanho relativo de "conhecimento" é ainda maior, e a importância da TVD fica visível no tamanho dos termos "tv" e "digital" (ambos um pouco à esquerda de "conhecimento"):


A constatação, o outro ponto que vale mencionar, é o impacto da inovação do EGC no processo seletivo para o ingresso no mestrado e doutorado em 2010, com um curso de nivelamento a distância com trabalhos pontuais e prova final, além da análise do currículo Lattes e do anteprojeto de pesquisa (que sempre foram requisitos do processo seletivo de ingresso). Em agosto deste ano, tuitei e bloguei aqui (EGC inova ingresso 2010 com nivelamento a distância).

O impacto mais visível é dado pelo número de candidatos inscritos: 757 (quase 13 por vaga), dos quais 216 foram aprovados no curso a distância e prova (próximo a 4 candidatos por vaga antes da etapa final, de análise do anteprojeto). Mas este blog tem uma medida adicional do impacto: apesar de ser o 21o post de 31 (contando o presente), esse "EGC inova ingresso..." tornou-se rapidamente o mais acessado (7% do tráfego), com leitores de Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Até o momento, aliás, o post sobre o nivelamento do EGC é o único motivo que trouxe os africanos a este blog. Isso pode ser constatado acessando o gadget "Leitores recentes" à direita, clicando sobre o mapa-mundi que mostra a origem dos acessos ao blog e, depois, clicando sobre as bandeiras moçambicanas e angolana.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para criticar a Bunge

[Aos avoantes que chegaram googlando, esclareço que o "a" do título é uma preposição e não um artigo. Isto é, "Para criticar a (Mario) Bunge" e não, por exemplo, "Para criticar a (empresa) Bunge". Pronto, esclarecido.]

Sou um bungeano da nova cepa, isto é, minhas leituras de Mario Bunge começaram por Emergence and Convergence (texto quase completo no Google Books), de 2003, publicado muito tempo depois do seu Treatise on Basic Philosophy (anos 1970-80) e outras peças mais conhecidas. Logo no capítulo 3 de E&C Bunge introduz o modelo CESM (composition-environment-structure-mechanism) de sistema, coisa que logo me pareceu poderosa, simples, muito esclarecedora e útil para modelagem de sistemas (computacionais, inclusive). A primeira aparição do CESM que conheço é de um artigo de 1997, onde toda a essência do modelo está presente aos pedaços (não há o enunciado "este é o CESM"). Tratando-se do nonagenário Bunge, portanto, é coisa muito recente.

O problema é que, de tanto citar (o modelo CESM em particular e o sistemismo em geral), corro o risco de ser visto como especialista em Bunge, quando na verdade sou um diletante que encontrou algo muito útil na filosofia bungeana. Suponho que leva muito mais tempo para passar de diletante (com minha formação em engenharia, que praticamente exclui filosofias e "humanidades") a especialista em tão vetusto assunto.

Ainda assim (ou seja, mesmo me excusando), não estou livre de ser interpelado como conhecedor da filosofia de Bunge - em especial, por alunos. Uma das cutucadas mais inconvenientes é "Quais são as principais críticas contrárias a Bunge?" (pois é óbvio que las hay, e eu deveria conhecer). Bem... Além dos ataques frontais à psicanálise (que é um embuste, que fica no mesmo balaio da astrologia), Don Mario já emitiu algumas opiniões sobre rock (que não é música) e futebol (que não é um fenômeno social, mas esportivo) que, longe de suas contribuições principais à ontologia e à epistemologia, é por onde alguns críticos o desmerecem.

Pois bem: Vi no blog GrupoBunge a "denúncia" de um blog post difamatório (em outro blog) que já recebeu mais de 100 comentários, grande parte deles de excelente qualidade. Esse blog post, em si, tem algumas virtudes, mas é superado em muito por diversos comentaristas (embora também haja algum bate-boca nas cento e tantas entradas). Eu até comentei no GrupoBunge sobre o que li (e me diverti) no tal blog post, de onde destaco um comentário sintético e "na mosca", a meu ver:

Comentário #13 por Carlos González, Abril 6, 2007:
“El problema, o lo que molesta, de autores como Bunge y otros, es que tratan de demarcar límites bien establecidos entre disciplinas, artes, etc. (independientemente si lo compartimos o no), lo que va en contra del discurso predominante de lo políticamente correcto: de la integración y respeto hacia el otro en todas sus facetas. En general, salirse de lo políticamente correcto es un trabajo sucio y sólo para cojonudos (‘los hay en todos los bandos, no sólo en los liberales de derecha’).
En todo caso, me reí muchas veces con la columna y tb los comments.”

Sem mais delongas, para quem gosta de filosofia da ciência e de debates nesse mundo 2.0, eis o tal blog post:

Mario Bunge: un charlatán más en el reino de los charlatanes, em 16 de novembro de 2006, no blog "Soy donde no pienso", por Leandro Andrini (por coincidência, um físico de La Plata, como Bunge).

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Commons ou "rossio não-rival" perde seu maior intérprete brasileiro

É com tristeza que a gente recebe esta notícia: Não está mais entre nós Imre Simon, professor (USP), pensador da área de Computação (ergo avis rara!), grande disseminador das idéias de Yochai Benkler em particular e de Commons em geral (termo que ele traduziu como "rossio não-rival", acho que meio de brincadeira, porque é difícil de pegar). A lista de discussão da SBC (Sociedade Brasileira de Computação) deve transbordar de eulogias.

Para quem gosta do assunto ou quer saber mais, vale uma visita à página dele. Era uma voz diferenciada entre nossos assim chamados 'notáveis'. Era um dos acadêmicos com plena noção de que estamos no Século XXI, de que a sociedade do conhecimento existe, de que o mercado da informação é dirigido pela oferta e não pela demanda...

Enfim, uma perda qualitativa importante não só no meio acadêmico-universitário, mas também na sociedade brasileira (ele que era húngaro de nascimento). Um luminar a menos para explicar certas coisinhas básicas do mundo contemporâneo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Wesch "The machine is us/ing us" strikes again: World Simulation

Anthropologist Michael Wesch (from Kansas State University, author of "The machine is us/ing us") gives away another awesome lesson: a YouTube report on the World Simulation conducted with his students, with the help of Twitter (ok, I tweet) and Jott (don't know) through the cellphone.

They've created a fake world with lands and peoples and developed a whole history, with commerce, wars, domination from colonization to core-periphery dynamic etc. The fake world evolution described in the video is interspersed with real-world facts, for instance, about diamonds in Africa, the wars around it, the (little little) money made by extractors and cutters (25 cents per diamond cut; many sharp-eyed cutters are children in India)... Makes you wonder how can there be any glamour around diamonds.

It looks like that War (board) game but much enlarged and enriched. It is, indeed, a "radical experiment in education" that I praise and recommend watching (4:40 - be ready to stop the presentation as the captions flash in unreadable intervals). It is an inspiration for me as a professor (I've been trying things of this sort with peer review in education and concurrency control learning games) and for anyone pursuing real educational systems.

Dr. Wesch ends by quoting the cultural anthropologist Margaret Mead (1901-1978): "Never doubt that a small group of thoughtful, committed citizens can change the world. Indeed, it's the only thing that ever has." This prompted a Text Comment from kdcruz75: "never doubt that a small group of thoughtless, powerful committed hidden elite can control the human populace. Indeed it is the only thing that ever has". Well... the discussion catches on as the view count soars. See the video:


sábado, 6 de junho de 2009

Discovering Michael Wesch, the Digital Ethnography Working Group, and a drop more about 2.0

It's a brave new world. And it's such a huge amount of good ideas and information that I better don't try to explain much, but only link, recommend, and comment on my standing on it. As so many people, yes, I had already seen the famous video "The machine is us/ing us" (4:33 - here's a chance to see it if you are not among the 10+ million - by June, 2009 - who did):


What I didn't know is that its author is a professor of Anthropology at Kansas State University named Michael Wesch, who has a group called the Digital Ethnography Working Group. These guys are really into this Web 2.0 thing. If you are so much into it too, you should watch this 55:33 (I'm warning...) video from Dr. Wesch's speech at the Library of Congress in June 23, 2008 (An Anthropological Introduction to YouTube):


As to my standing on the subject, let me just say that I've arrived at those videos from a tweet of a former student (@savi). Unlike Obama ;) (who follows and is followed by millions), I'm only following a few dozen people on twitter so I can occasionally learn something from them (I mean individually; of course Obama learns from the millions ;).

Another thing I didn't know is that Dr. Wesch received the U.S. Professor of the Year award. In this beautiful short speech (8:05 with an introduction from a student) he says things about the role of a professor that makes me recommend watching it:

quinta-feira, 26 de março de 2009

Café Scientifique Florianópolis, 31.mar.2009: Amor no La Bohème

O Café Scientifique é uma organização mundial de eventos que unem ciência e tecnologia a arte, cultura e música. Existe em muitos países. Funciona assim: há umas poucas palestras rápidas e segue a conversa com todos, usualmente regada a café ou o que aprouver. A entrada é franca.

Em Florianópolis, começou em 2007 e agora chega à 10a edição, dia 31/3/2009 (terça), no La Bohème Café, na Trindade, das 19 às 22. O Café Scientifique manezinho vem sendo fomentado pelo pessoal do EGC. Eu mesmo já fui apresentador, numa sessão sobre convergência tecnológica.

Esta primeira sessão de 2009 é sobre o Amor, com os palestrantes Adriana Alves, Carlos Remor (Tuto), Ermelinda Silveira (Meli) e Maria de Lourdes Borges. A organização está a cargo de Ana Lucia Fernandez, Andressa Sasaki Pacheco, Maurício Rissi, Rafael Leonardo Afonso e Sílvia Quevedo. O convite chegou assim (clique para ampliar):

Eu recomendo.