domingo, 15 de agosto de 2010

Can data be real? (Dilbert) [Dados podem ser de verdade?]

[Post com versão em PT, mais abaixo]

Scott Adams captures the essence of corporate pickpocketing

I have long been a fan of Dilbert, whose cartoons are always at the bottom of this blog. They are always good, sometimes great, but this Wednesday, August 11th, 2010, I think Scott Adams have captured the essence of corporate pickpocketing - that kind of small robbery in large scale that (it seems like) all big businesses do these days. Banks send credit cards and charge "account insurance" you didn't ask for, telecoms invent charges and so on - all in a clear, calculated strategy of robbing millions and losing a little money to only a few who sue them competently.

Well, enough of this boring reality that everyone knows... More than the essence of corporate pickpocketing, the cartoon captures the essence of our (big business) times. See the cartoon:


Scott Adams captura a essência do estelionato pequeno em larga escala pelas grandes empresas

Sou fã do Dilbert há décadas. Os cartuns diários do Scott Adams estão sempre no rodapé deste blog. São sempre bons, às vezes excelentes, mas nesta quarta, 11/8/2010, acho que Adams capturou com a maior concisão possível o espírito atual de tantas grandes empresas - de roubar pouco de muitos, numa estratégia fria e calculista que considera que vão perder algumas poucas ações na justiça mas o roubo vale a pena - coisas como: bancos que cobram "seguro de conta corrente" e mandam cartões de créditos não solicitados (cobrando anuidade), teleestelionatocoms que inventam despesas inexistentes...

Mas chega de papo chato - todo mundo tem sua experiência com essas empresas. Mais que a essência do pequeno estelionato em larga escala, é a essência dos tempos atuais (pelo menos em termos de grandes empresas que atendem a muitos consumidores). Eis o cartum:

#1 [Dilbert]: Nós criamos um novo teste de desempenho [para nosso produto], mas descobrimos que esse teste é furado.

#2: Agora nosso produto é reprovado em nosso próprio teste e os clientes querem ver os resultados.

#3[Dilbert]: Tenho autorização para inventar dados [que façam nosso produto passar no teste]? [Chefe]: Eu nem sabia que dados podiam ser de verdade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Sociedade do Conhecimento I

"Nós fomos educados para viver numa sociedade tipicamente industrial e nós já estamos vivendo ... numa sociedade do conhecimento". "Em 2006, ... a exportação de bens intangíveis nos Estados Unidos superou a exportação de bens tangíveis". "Eu não preciso de caminhão, eu não preciso de navio nem de avião para transportar um bem intangível". "O PAC* está preparando o Brasil para o Século XX!"

Essas quatro frases da parte inicial da palestra de Marcos Cavalcanti (Desafios contemporâneos – o trabalho) no programa Café Filosófico CPFL revelam um pouco da idéia geral, mas não a riqueza de detalhes nem a poesia e engenho com os quais o palestrante conduz a narrativa. Cavalcanti, matemático e doutor em Informática, foi diretor de Tecnologia da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e é coordenador do Crie (Centro de Referência em Inteligência Empresarial) e membro do Board do New Club of Paris, o "desenvolvedor da agenda da Sociedade do Conhecimento".

Não só é uma aula introdutória sobre o que é essa tal Sociedade do Conhecimento (por isso o título deste post), mas é uma aula sobre muita coisa. Para dar seu recado, o professor Cavalcanti fala de escola, do filme Pro Dia Nascer Feliz, do corpo-mole do Ministério Público com as nomeações secretas do Senado ... até de Daniel "No Supremo a gente resolve" Dantas - o que me leva à conclusão deste post. Reconheçamos algum progresso neste Brasil. Ainda que o Supremo pareça estar "na mão" de um empresário superpoderoso, o professor Cavalcanti não parece temer acordar boiando na Lagoa Rodrigo de Freitas. Não estamos na "Venezuela" (comillas, porque esa miseria no es Venezuela). E a CPFL, uma empresa brasileira, se dispõe a promover uma série de eventos** que lembram vagamente as TED Talks (também patrocinadas por empresas) e o "iluminismo do Século XXI" da RSA.

A palestra dura 76m40s, ou 2 h com a sessão de comentários, perguntas e respostas. Dois perguntadores (e não foram muitos perguntadores...) claramente não pescaram (o palestrante foi muito educado mas fica óbvio que responder a quem não entende é um saco), mas estamos no Brasil, que possui a maior e mais eficiente "escola" (no sentido de máquina de destruição de inteligências que treina e condiciona a não entender) da história da Humanidade, pela qual os perguntadores passaram. Veja o vídeo:

* Para os arqueólogos: PAC significa "Plano de Aceleração do Crescimento", nome que parece sugerir a existência de algo pensado e planejado para promover o progresso socioeconômico nacional. Batizou o coletivo de obras do segundo governo Lula (2007-2010).

** Claro, pode melhorar. Seria bom poder embutir (embed) o vídeo, que a busca funcionasse, que o URL não mudasse, que a duração do vídeo fosse declarada, que o vídeo fosse apresentado, contextualizado (aparentemente este vídeo faz parte de um "módulo" coordenado pela filósofa Viviane Mosé, mas isso é elucubração minha a partir de alguns fragmentos que vi e li). Mas essa é a parte mais fácil, que se resolve com tecnologia - basta copiar RSA, Ted Talks, YouTube. A parte mais difícil está feita - há um conjunto bacana de palestras de alto nível.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Animations are as great as these talks at the Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce

The first animation I've got to see by RSA (the Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce) came to me through a tweet by @renatalemos (thanks, Renata!). It was "Smile or Die", a critical reflection by Barbara Ehrenreich about positive thinking (or willful ignorance). I found it to be a piece of rare, straight, realist thinking (video below).

Another thought-provoking talk and animation is this: "Drive: The surprising truth about what motivates us". Food for thought for whoever is in Social Web:

In "The Secret Powers of Time", "professor Philip Zimbardo conveys how our individual perspectives of time affect our work, health and well-being. Time influences who we are as a person, how we view relationships and how we act in the world". The second half of the talk will appeal deeply to educators:

... and there are many others - animations or plain talks (but the animation is definitely a plus). You might want to check other RSA short films in their YouTube channel. RSA, together with TED, is a great source of interesting stuff on the Web.

Among the non-animation talks, I choose to point to one still to happen (July 13, 2010) at the time of this post: "The Woolwich Model - How citizens can tackle anti-social behaviour". Are your executive/representative candidate dealing with this issue? (Are you?) (An initiative worth mentioning in Brazil regarding this is WikiCrimes).

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cognitive surplus: the very idea (useful to approach the K-Society blind) [Excedente cognitivo: a grande idéia (p/ ceguinhos da Soc. do Conhecimento)]

[Post com versão em PT, mais abaixo]

Yet another so worth spreading idea from TED Talks: Clay Shirky discusses what he calls "cognitive surplus" - the free [brain] time available in the world, once destined to waste in sofa surfing (or, at best, to enrich someone's own culture in reading or other positive use of time). Now, with the social web, cognitive surplus is being seen as what it is: an untapped resource (the simplistic view) and a fundament for civism and activism (the more enlightened, encompassing view).

So now you can say to that someone who just can't grasp the reality that knowledge society is here: "Hey, T-Rex! Some folks got filthy rich using free cognitive surplus - Google, YouTube, Twitter, etc." - if money is still the only thing T-Rex understands. Then, if T-Rex falls for that, you can say "See, complex systems are different from what you are familiar with. Shirky talks about this study in daycare centers in which they established a fine for late pick-ups and what happened? Late pick-ups grew, not declined. Not that things are always the opposite you expect, but in a complex world you must be prepared to get answers opposite to your expectation."

That would be a good start. But wait!... if T-Rex is in government, you better forget it. S(He) either already got it or will never get. Well... maybe just send him/her the link to Clay Shirky's TED Talk (below, after Portuguese version):



Eis outra idéia que vale muito espalhar: Clay Shirky discute o que chama de "excedente cognitivo" - o tempo [cerebral] livre disponível no mundo, antigamente destinado ao desperdício surfando (ou babando) no sofá (ou, no melhor dos casos, ao aprimoramento cultural de alguém na leitura ou outra atividade enriquecedora individualmente). Agora, com a Web social, o excedente cognitivo está sendo visto como o que é: um recurso imenso e não usado (numa visão simplista) e um fundamento do civismo e do ativismo (numa visão mais esclarecida e abrangente).

Então agora dá para dizer: "Ei! Dinossauro, uns caras ficaram podres de ricos usando o excedente cognitivo grátis - Google, YouTube, Twitter etc." (se dinheiro for a única coisa que o troglodita entende). Daí, se o dinossauro cair nessa cantada, dá para emendar: "Olha só: os sistemas complexos são diferentes das coisas que você está acostumado a entender. O Shirky falou de um estudo em creches, no qual criaram uma multa para pais que pegam seus filhos com atraso e o que aconteceu? Os atrasos aumentaram, não diminuíram. Não que as coisas vão ser sempre assim, mas num mundo complexo você precisa estar preparado para ter resultados opostos aos que você esperava".

Isso seria um bom início. Mas... espera! Se o dinossauro for gestor público, esqueça. Ou ele/a já entende a sociedade do conhecimento, ou não vai entender nunca. Bem... talvez, pelo menos, mande para ele/a o link da palestra do Clay Shirky nas TED Talks (sempre leva um tempo para aparecer a tradução em legendas, meu chute é que em 10/07/2010 já se possa acompanhar com legendas em português):



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Inscrições abertas para mestrado/doutorado no EGC/UFSC com nivelamento a distância

No ano passado foi uma novidade que resultou na duplicação do número usual de candidatos (300-500 para ~750). A divulgação aqui neste blog gerou um campeão de acessos e trouxe, pela primeira vez, leitores de Angola e Moçambique. Divulgo novamente a abertura de inscrições para os candidatos ao ingresso, em março de 2011, no mestrado ou doutorado no EGC/UFSC (Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina).

As informações detalhadas estão no edital 07/2010, publicado na página do EGC. Novamente, o Programa realiza um curso de nivelamento a distância, com avaliação que faz parte do processo seletivo e não restringe a oportunidade segundo a proximidade geográfica. As inscrições estão abertas até 30 de julho. O edital, não este blog post, é a fonte oficial.

domingo, 27 de junho de 2010

A word about complex systems

Just wanted to blog about this citation made by John D. Sterman (Business Dynamics, 2000, p. 8):

When you are confronted by any complex social system, such as an urban center or a hamster, with things about it that you’re dissatisfied with and anxious to fix, you cannot just step in and set about fixing with much hope of helping. This realization is one of the sore discouragements of our century . . . You cannot meddle with one part of a complex system from the outside without the almost certain risk of setting off disastrous events that you hadn’t counted on in other, remote parts. If you want to fix something you are first obliged to understand. . . the whole system. . . Intervening is a way of causing trouble. (L. Thomas, Lives of a Cell: Notes of a Biology Watcher, 1974, p. 90)

No further comments as for now. My reading was caused by the bringing of System Dynamics into the Systems Modeling classes at EGC/UFSC. Doctorate candidate Maurício Uriona is the guy behind it. By the way, we're approaching systems modeling with Mario Bunge's CESM model (composition-environment-structure-mechanism) and system dynamics came to help in the study of mechanisms.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A urna eletrônica está nua (E daí? Faz anos...)

Eu não esperava ler ou ouvir qualquer coisa sobre política de verdade num ano de eleição presidencial e de Copa do Mundo, mas eis que um improvável grupo de bravos brasileiros resolve falar sério: o Comitê Multidisciplinar Independente (CMind) lançou recentemente o Relatório sobre o Sistema Brasileiro de Votação Eletrônica (1a versão, 105 páginas). Há também um Sumário Executivo (2 p.).

Ok, temos a urna eletrônica, um projeto muito bem-sucedido e que ficou ainda mais em evidência depois dos problemas norte-americanos na primeira eleição presidencial de George W. Bush. O problema, como é comum, não está na tecnologia, mas nas pecinhas que gerenciam a coisa. O relatório do CMind aponta as barbaridades do nosso sistema de votação eletrônica rejeitado "pelos mais de 50 países que o estudaram". Os problemas são conhecidos muito bem e há muito tempo, mas o Comitê Multidisciplinar do TSE (oficial e poliana ou coisa pior) conseguiu varrê-los para baixo do tapete, no seu relatório aprovado em 2009.

Este sistema eleitoral brasileiro de mistificação e musiquinha lembra muito o 1984 de Orwell. "Eleição" e "democracia" deveriam ter muita coisa a ver uma com a outra, mas aqui no Brasil viraram quase antônimos. É muita coragem dos 10 do CMind, de quem me sinto devedor. Não sei se conseguirão 10 segundos de Jornal Nacional (não vou saber porque não vejo, mas duvide-o-dó), mas dou meus 2 centavos aqui, blogando. Quem puder, ajude.

domingo, 21 de março de 2010

Peer review dos gringos (e a nossa)

O blog Química de Produtos Naturais, do professor Roberto Berlinck (USP São Carlos), divulgou (aqui) este editorial da Nature Chemical Biology que descreve seu processo de peer review. Eu aproveito para destacar algumas caraterísticas (e confrontá-las com a peer review usual nas agências de fomento do Brasil, na qual há revisão e há "pares" - e isso resume as semelhanças):

  • O comitê avaliador é responsável por tomar decisões (não, o resultado não é uma média aritmética dos escores dos revisores, até porque cada revisor tem sua régua peculiar).
  • O comitê toma uma decisão considerando os pareceres dos revisores e comunica a decisão os autores, anexando cópias dos pareceres consubstanciados (sim, na peer review a vera, sempre há pareceres, sempre são consubstanciados, e sempre são devolvidos aos autores; não, a mera comunicação "foi/não foi aceito" não seria suficiente).
  • O comitê informa os revisores sobre a decisão e distribui cópias dos pareceres também aos revisores (não, longe disso - o objetivo do processo não é manter o statu quo; pelo contrário, o revisor que tem a chance de aprender com seus colegas ganha a oportunidade de verificar se está puxando o nível para cima ou para baixo; o convite para avaliar não é uma concessão para "construção de igrejinha").

Ou seja, quem dirige o processo compreende que não se trata apenas de selecionar trabalhos científicos, mas de conduzir um processo seletivo no qual não se exclui voluntária e obstinadamente a reflexão. É permitido pensar; é permitido aprender; é necessário explicar a decisão. E olha que a avaliação conduzida pela revista não envolve recursos públicos (pelo menos, diretamente).

Uma observação final: o debate acalorado, as acusações sérias à peer review como método de avaliação e controle de qualidade diz respeito a essa forma de avaliação praticada pela Nature Chemical Biology. Os gringos sequer concebem uma peer review sem feedback - isso é invenção brasileira.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Power to the kids
[Crianças infectadas com o vírus do poder]

[Post com versão em PT, mais abaixo]

Real political activism instilled in children. 'Learning embedded in real-world context'. From 'the teacher told me' to 'I am doing it'. Kids rolling incense sticks for 8 hours to get a sense of what it is like to be a child laborer - and then going to the streets to end the problem.

In a word: 'Wow!'. Kiran Bir Sethi has become an instant member of my pantheon of teachers and professors (including living heroes such as herself and Michael Wesch, about whom I've blogged twice). From TED Talks, see the video below (9:32). Moving, inspiring, uplifting.



Não, não falo da conotação usual da palavra ('pudê'), mas de poder de verdade. Este vídeo de TED Talks (9:32) tem o título timidamente traduzido como "Kiran Bir Sethi ensina crianças a se encarregarem", mas mostra uma professora e diretora que põe fogo na vontade e capacidade das crianças que recebe em sua escola, com 'aprendizagem inserida na vida real'. Mas não só nas 'suas' crianças - também nas de sua cidade e em milhares e milhares pela Índia.

Ah, e as notas não são ruins - pelo contrário, estão entre as melhores do país (não, formar um "ser humano completo" não implica bloquear a capacidade cognitiva - talvez essa falácia nem tenha chegado à Índia ). Kiran já está no panteão dos meus heróis - professores, vivos inclusive, alguns famosos como Michael Wesch (sobre quem bloguei 2 vezes), outros conhecidos apenas por mim e mais algumas poucas centenas ou milhares de felizardos.

Ouvi-la falar dá alegria, esperança, confiança. Para ver com legendas em português, clique em "View subtitles" e selecione "Portuguese (Brazil)". Também vale ocupar a tela inteira, clicando no ícone no canto superior direito.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Fábula de los tres hermanos: Uma metáfora das principais visões de mundo segundo Bunge

Há algum tempo descobri mais esta grande canção de Silvio Rodriguez (o maior poeta da música popular que conheço). O cubano escreveu a Fábula de Los Tres Hermanos (vídeo abaixo), contando a história de três chicos que saíram pelo mundo a descobrir y a fundar. Um só olhava para o chão, o outro só contemplava o horizonte, o terceiro mirava uma pupila no pisar e outra no adiante ("ligeiramente" estrábico, portanto).

A fábula me lembra muito o que li no Emergence and Convergence do Mario Bunge sobre individualismo, holismo e sistemismo (exceto que no texto bungeano um deles não se dá mal). O individualismo (abordagem que embasa o que mais ortodoxamente se entende por ciência), más viejo, olha bem onde pisa, caminha com precisão, mas falha em chegar longe porque só enxerga o detalhe. O holismo (visão de mundo que não quer saber de explicar nada; só que "tudo está conectado", wohoo!) não se prende a essas amarras - só quer saber de mirar longe e vai tropeçando em todo mero pedrisco e caindo em todo buraco do caminho. O sistemismo, el pequeño, tanto esquadrinha a minúcia quanto vislumbra a perspectiva ampla.

Aqui é onde a fábula difere do filósofo. Bunge defende que o sistemismo renega e reconcilia os "irmãos mais velhos" ao reconhecer as virtudes e os defeitos de ambos ("tudo o que a ciência fez" e não reconhecer a existência do todo versus reconhecer o todo e ser contra a razão) e abordar os problemas com as virtudes e sem os defeitos dessas duas abordagens tradicionais. Mas, segundo a fábula, a tentativa de ver o todo e a parte ao mesmo tempo só deixa a visão extraviada...

Quem sabe, se trabalharem juntos, com paciência interdisciplinar...? (O objetivo aqui é estético. É só uma brincadeira com poesia, música e metáfora. Em outros fóruns, e quem sabe em futuros posts, vou falar sobre a diferença entre ser reducionista e fazer o "corte de nível", a redução sistemista - para ficar na diferença que vale a pena discutir, relativa ao individualismo.).

Ouça a música, veja o vídeo, acompanhe a letra:

Fábula de los tres hermanos (Silvio Rodriguez)

De tres hermanos el más grande se fue
Por la vereda a descubrir y a fundar
Y para nunca equivocarse o errar
Iba despierto y bien atento a cuanto iba a pisar

De tanto en esta posición caminar
Ya nunca el cuello se le enderezó
Y anduvo esclavo ya de la precaución
Y se hizo viejo, queriendo ir lejos, con su corta visión

Ojo que no mira más allá no ayuda el pie
Óyeme esto y dime, dime lo que piensas tú

De tres hermanos el de en medio se fue
Por la vereda a descubrir y a fundar
Y para nunca equivocarse o errar
Iba despierto y bien atento al horizonte igual

Pero este chico listo no podía ver
La piedra, el hoyo que vencía a su pie
Y revolcado siempre se la pasó
Y se hizo viejo, queriendo ir lejos, a donde no llegó

Ojo que no mira más acá tampoco fue
Óyeme esto y dime, dime lo que piensas tú

De tres hermanos el pequeño partió
Por la vereda a descubrir y a fundar
Y para nunca equivocarse o errar
Una pupila llevaba arriba y la otra en el andar

Y caminó, vereda adentro, el que más
Ojo en camino y ojo en lo por venir
Y cuando vino el tiempo de resumir
Ya su mirada estaba extraviada entre el estar y el ir

Ojo puesto en todo ya ni sabe lo que ve
Óyeme esto y dime, dime lo que piensas tú


sábado, 12 de dezembro de 2009

Don't understand philosophy? Monty Python explains [dedicated to EGC freshmen]

This is dedicated to the students at EGC/UFSC (especially those from an Engineering or IT background) who have been fighting to put together ideas and to build an understanding of worldviews and wide methodological approaches. Why especially Eng-IT? Because we (yes, myself included) were never informed that there are worldviews (and that ours is ontologically positivist-individualist, leading to cartesian thinking. Of course this is kind of embarrassing, but that's the way one finally finds out, after bragging about the existential pleasures of engineering, that engineering is not THE (only) thing and that there's important stuff missing in our education...).

In 2009, all freshmen at EGC attended the new mandatory course on the scientific method and underlying philosophy. And everyone must rapidly get a firm grasp of all that, enough to undertake interdisciplinary research with awareness of the differences among quite diverse ontologies (interpretivism, complexity, realism in its various flavors such as positivism and systemism, ...) - since EGC has 'knowledge as a production factor' as its research object. Too interdisciplinary?

But stumble no more! Your problems are over! For you and for anyone struggling to understand all those philosophical issues, here's "Monty Python Football" (with transcripts below obtained from here, here, and here):




International Philosophy
The (first) sketch:

Football commentator: Michael Palin

Football Commentator:
Good afternoon, and welcome to a packed Olympic Stadium, München
for the second leg of this exciting final.
And here come the Germans now, led by their skipper, "Nobby" Hegel. They must surely start favourites this afternoon; they've certainly attracted the most attention from the press with their team problems. And let's now see their line-up.

Football Commentator:
The Germans playing 4-2-4, Leibniz in goal, back four Kant, Hegel, Schopenhauer and Schelling, front-runners Schlegel, Wittgenstein, Nietzsche and Heidegger, and the mid-field duo of Beckenbauer and Jaspers. Beckenbauer obviously a bit of a surprise there.

Football Commentator:
And here come the Greeks, led out by their veteran centre-half, Heraclitus.
Let's look at their team. As you'd expect, it's a much more defensive line-up. Plato's in goal, Socrates a front-runner there, and Aristotle as sweeper, Aristotle very much the man in form. One surprise is the inclusion of Archimedes.

Football Commentator:
Well here comes the referee, K'ung fu-tsze (Confucius), and his two linesmen, St Augustine and St Thomas Aquinas.
[Referee spots the ball and the captains shake hands.]
And as the two skippers come together to shake hands, we're ready for the start of this very exciting final. The referee Mr Confucius checks his sand and... [referee blows his whistle] they're off!

[The Germans immediately turn away from the ball, hands on chins in deep contemplation.]
Nietzsche and Hegel there. Karl Jaspers number seven on the outside, Wittgenstein there with him. There's Beckenbauer. Schelling's in there, Heidegger covering. Schopenhauer.
[Pan to the other end, the Greeks also thinking deeply, occasionally gesticulating.]
And now it's the Greeks, Epicurus, Plotinus number six. Aristotle. Empedocles of Acragus and Democratus with him. There's Archimedes. Socrates, there he is, Socrates. Socrates there, going through.
[The camera follows Socrates past the ball, still on the centre spot.]
There's the ball! There's the ball. And Nietzsche there. Nietzsche, number ten in this German side.

Caption: DEUTSCHLAND - GRIECHENLAND 0 : 0
Football Commentator:
Kant moving up on the outside. Schlegel's on the left, the Germans moving very well in these opening moments.



This is the joining of the two-half sketches...

The (second) sketch:

The cast:
Anchorman: John Cleese
Football Commentator: Michael Palin
Archimedes: John Cleese

Caption: Sports Update

Anchorman:
Well right now we're going back to the Olympic stadium for the closing minutes of the Philosophy Final, and I understand that there's still no score.

Football Commentator:
Well there may be no score, but there's certainly no lack of excitement here. As you can see, Nietzsche has just been booked for arguing with the referee.
He accused Confucius of having no free will, and Confucius he say, "Name go in book".
And this is Nietzsche's third booking in four games.

[We see a bearded figure in a track-suit is warming up on the touch-line.]
And who's that? It's Karl Marx, Karl Marx is warming up.
It looks as though there's going to be a substitution in the German side.

[Marx removes the track-suit, under which he is wearing a suit.]
Obviously the manager Martin Luther has decided on all-out attack, as indeed he must with only two minutes of the match to go.
And the big question is, who is he going to replace, who's going to come off?
It could be Jaspers, Hegel or Schopenhauer, but it's Wittgenstein! Wittgenstein, who saw his aunty only last week, and here's Marx.

[Marx begins some energetic knees-up running about.]
Let's see it he can put some life into this German attack.
[The referee blows his whistle; Marx stops and begins contemplating like the rest.]
Evidently not. What a shame.
Well now, with just over a minute left, a replay on Tuesday looks absolutely vital.
There's Archimedes, and I think he's had an idea.

Archimedes:
Eureka!
[He runs towards the ball and kicks it.]

Football Commentator:
Archimedes out to Socrates, Socrates back to Archimedes, Archimedes out to Heraclitus, he beats Hegel [who, like all the Germans, is still thinking].
Heraclitus a little flick, here he comes on the far post, Socrates is there, Socrates heads it in!
Socrates has scored!

The Greeks are going mad, the Greeks are going mad!
Socrates scores, got a beautiful cross from Archimedes.

The Germans are disputing it.
Hegel is arguing that the reality is merely an a priori adjunct of non-naturalistic ethics, Kant via the categorical imperative is holding that ontologically it exists only in the imagination, and Marx is claiming it was offside.

But Confucius has answered them with the final whistle!
It's all over! Germany, having trounced England's famous midfield trio of Bentham, Locke and Hobbes in the semi-final, have been beaten by the odd goal, and let's see it again.

[Replay viewed from behind the goal.]
There it is, Socrates, Socrates heads in and Leibnitz doesn't have a chance.
And just look at those delighted Greeks.

[The Greeks jog delightedly, holding a cup aloft.]
There they are, "Chopper" Sophocles, Empedocles of Acragus, what a game he had. And Epicurus is there, and Socrates the captain who scored what was probably the most important goal of his career.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

VI Workshop do EGC: concept clouds

O Workshop anual do EGC (Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC) é um evento interno no qual são apresentados temas de interesse da engenharia, da gestão e da mídia do conhecimento desde pontos de vista de organizações públicas e privadas e de pesquisadores externos ao Programa. Também discutimos o que fizemos, o que vimos fazendo e os rumos que seguimos. Na página do VI Workshop (2-4/12/2009) há detalhes sobre a programação, palestrantes etc.

Este blog post é dedicado a uma curiosidade e a uma constatação, ambas típicas do fenômeno Web 2.0. A curiosidade é a evolução das nuvens de termos (concept clouds, construídas com o Wordle) usados pelos (cerca de 60) alunos ingressantes no Programa em suas propostas de tese ou dissertação construídas e submetidas à crítica dos pares nos Seminários de Pesquisa mandatórios e prévios ao Workshop. Eis a nuvem de conceitos para as propostas dos ingressantes em 2007 (clique sobre a figura ou abra em outra janela se quiser enlarguecer).


Não poderia ser diferente: o objeto de pesquisa do programa, o conhecimento como fator de produção, deu origem ao termo mais intensamente usado. Ainda não se falava tanto em TVD, mas "digital" aparece como um dos 150 termos mais usados (em vermelho, na parte inferior centro-esquerda da figura) exceto stopwords. Em 2008, na figura a seguir, nota-se um pequeno crescimento relativo de "conhecimento". "Digital" (em azul, à direita de "pesquisa") também cresceu e agora aparece "tv" (à esquerda, entre "conhecimento" e "pesquisa").


Em 2009, o tamanho relativo de "conhecimento" é ainda maior, e a importância da TVD fica visível no tamanho dos termos "tv" e "digital" (ambos um pouco à esquerda de "conhecimento"):


A constatação, o outro ponto que vale mencionar, é o impacto da inovação do EGC no processo seletivo para o ingresso no mestrado e doutorado em 2010, com um curso de nivelamento a distância com trabalhos pontuais e prova final, além da análise do currículo Lattes e do anteprojeto de pesquisa (que sempre foram requisitos do processo seletivo de ingresso). Em agosto deste ano, tuitei e bloguei aqui (EGC inova ingresso 2010 com nivelamento a distância).

O impacto mais visível é dado pelo número de candidatos inscritos: 757 (quase 13 por vaga), dos quais 216 foram aprovados no curso a distância e prova (próximo a 4 candidatos por vaga antes da etapa final, de análise do anteprojeto). Mas este blog tem uma medida adicional do impacto: apesar de ser o 21o post de 31 (contando o presente), esse "EGC inova ingresso..." tornou-se rapidamente o mais acessado (7% do tráfego), com leitores de Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Até o momento, aliás, o post sobre o nivelamento do EGC é o único motivo que trouxe os africanos a este blog. Isso pode ser constatado acessando o gadget "Leitores recentes" à direita, clicando sobre o mapa-mundi que mostra a origem dos acessos ao blog e, depois, clicando sobre as bandeiras moçambicanas e angolana.

sábado, 21 de novembro de 2009

Arquitetura tecnológica e visão sistêmica em e-gov

Aproveito a apresentação recente sobre "Plataformas e-gov como sistemas sociotecnológicos" (slides no final) no EIeGOVID/CONeGOV (8o Encontro Ibero-Latino-Americano de Governo Eletrônico e Inclusão Digital, 5a Conferência Sul-Americana em Ciência e Tecnologia Aplicada ao Governo Eletrônico) para dar um panorama (com links) das publicações e comunicações sobre P&D em plataformas e-gov feitas como pesquisador do Instituto Stela nos últimos tempos. Esses registros evidenciam a visão sistêmica que embasa uma série de iniciativas e-gov: Plataforma Lattes, Portal Inovação, Portal SINAES etc.

A arquitetura tecnológica desses projetos e-gov parte de esquemas informacionais compartilhados e inclui instrumentos de coleta de informações com contraprestação de serviço ao cidadão, portais para divulgar e disseminar essa informação e ferramentas avançadas de engenharia do conhecimento. Visão sistêmica e arquitetura tecnológica contribuem para qualificar essas plataformas e-gov como sistemas sociotecnológicos - conceito emergente que denota sistemas que só funcionam por meio da colaboração dinâmica entre agentes humanos e artificiais. Eis o panorama:

  • Perspectivas para la construcción de indicadores en plataformas de gobierno electrónico en CT&I (2007, slides no SlideShare, Apresentação na mesa-redonda "Nuevas demandas de información para la toma de decisiones: Retos a los sistemas de información en ciencia, tecnología e innovación" no VII Congreso Iberoamericano de Indicadores de Ciencia y Tecnología (RICYT). São Paulo, 23-25/5/2007)
    Essa apresentação retoma o estado das coisas em dezembro de 2002, quando o I Workshop da Rede Scienti reuniu representantes de mais de 10 países ibero-latino-americanos em Florianópolis. A Colômbia mostrou o mini-CD com os sistemas de currículo e de grupos, cedidos pelo CNPq e já em operação. Várias agências nacionais firmaram acordo com o CNPq para intercâmbio de informações, no que seria o "Mercado Comum do Conhecimento". O representante peruano agradeceu ao CNPq pela generosidade, pela inovação mundial e pela visão aguda do futuro. [...]. Hoje a Rede é liderada pela Colômbia.

  • Aplicações de arquitetura conceitual em plataformas e-gov: da gestão da informação pública à construção da sociedade do conhecimento (2007, artigo na PontodeAcesso 1(1), 71-87, por Pacheco RCS, Kern VM e Steil AV)
    Discute a arquitetura tecnológica de plataformas e-gov alinhadas à sociedade do conhecimento, com base nos princípios de abrangência de usuários, construção colaborativa, perspectiva internacional, tecnologia multiplataforma e respeito aos atores e processos do domínio.

  • Gestão do conhecimento no setor público: o papel da engenharia do conhecimento e da arquitetura e-gov (2008, capítulo por Steil AV, Kern VM e Pacheco RCS do livro organizado por Angeloni MT: Gestão do conhecimento no Brasil: casos, experiências e práticas de empresas públicas)
    Aponta a apropriação da gestão do conhecimento pelas organizações públicas, posterior à compreensão da importância da gestão dos ativos de conhecimento pelas organizações privadas. Descreve a arquitetura e-gov concebida pelo Instituto Stela com o detalhamento de 2 casos: o DCVISA da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Portal SIBEA do Ministério do Meio Ambiente.

  • Gestão de ativos de informação e conhecimento pelo Estado: O papel das plataformas e-gov (2008, artigo nos anais do Congresso ABIPTI por Pacheco RCS, Steil AV e Kern VM).
    Ressalta o sucesso de plataformas e-gov entre iniciativas brasileiras em governança pública na emergência da sociedade do conhecimento. Apresenta a arquitetura e-gov empregada pelo Instituto Stela com o detalhamento dos casos Portal Inovação e Portal SINAES.
  • Plataformas e-gov como sistemas sociotecnológicos (2009, apresentação no EIeGOVID/CONeGOV, em Florianópolis, 17-19/11/2009)
    Introduz o conceito de sistema sociotecnológico, exemplificando a auto-organização nesse tipo de sistema com a descrição das ligações existentes entre componentes e itens do ambiente do YouTube. Aventa a adoção de princípios de sistemas sociotecnológicos em plataformas e-gov e ilustra a idéia com uma descrição da composição, ambiente, estrutura (ligações) e mecanismo (processos que geram a emergência de propriedades do todo) da Plataforma Lattes.

    Eis a apresentação:


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para criticar a Bunge

[Aos avoantes que chegaram googlando, esclareço que o "a" do título é uma preposição e não um artigo. Isto é, "Para criticar a (Mario) Bunge" e não, por exemplo, "Para criticar a (empresa) Bunge". Pronto, esclarecido.]

Sou um bungeano da nova cepa, isto é, minhas leituras de Mario Bunge começaram por Emergence and Convergence (texto quase completo no Google Books), de 2003, publicado muito tempo depois do seu Treatise on Basic Philosophy (anos 1970-80) e outras peças mais conhecidas. Logo no capítulo 3 de E&C Bunge introduz o modelo CESM (composition-environment-structure-mechanism) de sistema, coisa que logo me pareceu poderosa, simples, muito esclarecedora e útil para modelagem de sistemas (computacionais, inclusive). A primeira aparição do CESM que conheço é de um artigo de 1997, onde toda a essência do modelo está presente aos pedaços (não há o enunciado "este é o CESM"). Tratando-se do nonagenário Bunge, portanto, é coisa muito recente.

O problema é que, de tanto citar (o modelo CESM em particular e o sistemismo em geral), corro o risco de ser visto como especialista em Bunge, quando na verdade sou um diletante que encontrou algo muito útil na filosofia bungeana. Suponho que leva muito mais tempo para passar de diletante (com minha formação em engenharia, que praticamente exclui filosofias e "humanidades") a especialista em tão vetusto assunto.

Ainda assim (ou seja, mesmo me excusando), não estou livre de ser interpelado como conhecedor da filosofia de Bunge - em especial, por alunos. Uma das cutucadas mais inconvenientes é "Quais são as principais críticas contrárias a Bunge?" (pois é óbvio que las hay, e eu deveria conhecer). Bem... Além dos ataques frontais à psicanálise (que é um embuste, que fica no mesmo balaio da astrologia), Don Mario já emitiu algumas opiniões sobre rock (que não é música) e futebol (que não é um fenômeno social, mas esportivo) que, longe de suas contribuições principais à ontologia e à epistemologia, é por onde alguns críticos o desmerecem.

Pois bem: Vi no blog GrupoBunge a "denúncia" de um blog post difamatório (em outro blog) que já recebeu mais de 100 comentários, grande parte deles de excelente qualidade. Esse blog post, em si, tem algumas virtudes, mas é superado em muito por diversos comentaristas (embora também haja algum bate-boca nas cento e tantas entradas). Eu até comentei no GrupoBunge sobre o que li (e me diverti) no tal blog post, de onde destaco um comentário sintético e "na mosca", a meu ver:

Comentário #13 por Carlos González, Abril 6, 2007:
“El problema, o lo que molesta, de autores como Bunge y otros, es que tratan de demarcar límites bien establecidos entre disciplinas, artes, etc. (independientemente si lo compartimos o no), lo que va en contra del discurso predominante de lo políticamente correcto: de la integración y respeto hacia el otro en todas sus facetas. En general, salirse de lo políticamente correcto es un trabajo sucio y sólo para cojonudos (‘los hay en todos los bandos, no sólo en los liberales de derecha’).
En todo caso, me reí muchas veces con la columna y tb los comments.”

Sem mais delongas, para quem gosta de filosofia da ciência e de debates nesse mundo 2.0, eis o tal blog post:

Mario Bunge: un charlatán más en el reino de los charlatanes, em 16 de novembro de 2006, no blog "Soy donde no pienso", por Leandro Andrini (por coincidência, um físico de La Plata, como Bunge).

sábado, 7 de novembro de 2009

Natural gestures, wearable sixth sense - now that's knowledge media
[Gestos e 6o sentido para vestir - isso é que é mídia do conhecimento]

[Post com versão em PT, mais abaixo]

"Ideas worth spreading" is the motto of TED Talks. Well, instead of talking about it, I better direct you to "Pattie Maes and Pranav Mistry demo SixthSense" (8:45, see embedded video below). Just like "Rebecca Saxe: How we read each other's minds" (16:54, about MRI-ing moral judgements), it is a new technology received with both awe and apocalyptical remarks (because we advance in technology keeping the same moral challenges and dilemmas from Plato's time and before - look's like there is room for new "moral technology"). Some inspiration for us at EGC/UFSC (Graduate Program in Knowledge Engineering and Management), in which "knowledge media" is one of the research areas.

O lema de TED Talks é "Idéias que valem espalhar". Melhor do que me delongar em comentários é apontar para "Pattie Maes and Pranav Mistry demo SixthSense" (8:45, vídeo clicável abaixo - se preferir, clique em "View subtitles" e assista com legendas em português). De forma semelhante ao que vemos em "Rebecca Saxe: How we read each other's minds" (16:54, sobre analisar julgamentos morais usando ressonância magnética), é uma nova tecnologia recebida com tanto fascínio quanto horror apocalíptico (porque o fato é que avançamos na tecnologia, mas os desafios e dilemas morais são os mesmos de tempos imemoriais, sem grandes avanços na "tecnologia moral"). Uma inspiração e tanto para nós do EGC/UFSC, que tem a Mídia do Conhecimento como uma das áreas de concentração.



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um passo à frente (peer review com feedback)

Tenho sido acusado - justamente, eu assumo - de ser obcecado por revisão pelos pares na aprendizagem. Conquistei essa fama porque venho fazendo e propagandeando desde 1997, depois de experimentar como aluno em 1994, na Virginia Tech, assistindo CAD I, lecionada pelo co-orientador de doutorado Jan Helge Bøhn.

Lembro que o contato com este segredo ferozmente guardado (como se avalia ciência e como é a experiência de participar do processo) representou muito para mim. Achei tudo muito elucidativo e estimulante. Perguntei a mim mesmo por que seria que os milhares de doutores que o Brasil forma e formou no exterior não compartilham esse segredo (assumindo que os que se formam no Brasil não têm mesmo como adivinhar como se faz).

De volta ao Brasil, não resisti um ano até experimentar com meus alunos, na graduação (com fracassos épicos e sucessos idem, como conto em alguns relatos). Depois, com a oportunidade de fazer na pós-graduação stricto sensu, acabaram os fracassos épicos. Sempre foi de bom para melhor.

Mais complicado do que segurar o repuxo dos fracassos foi explicar para os pós-graduandos que vão adiante e se aventuram a submeter proposta de pesquisa a algum órgão de fomento que aquela peer review que experimentamos em classe não é bem a mesma que fazem as maiores agências de fomento brasileiras. Nessas, tem peer, tem review, mas não tem o que no exterior é tão básico que nem acharam importante incluir no nome: feedback, retorno, resposta. Peer review sem feedback, uma invenção brasileira. E não adianta solicitar, pedir, argumentar, replicar, treplicar. Não tem feedback e continuar insistindo é algo muito malvisto.

Quem sabe, porém, a coisa esteja mudando. Li recentemente em um edital: "Para propostas recomendadas, será definido o valor a ser financiado [...]. Para propostas não recomendadas, será emitido parecer consubstanciado contendo as justificativas para a não recomendação." Fica evidente, na redação, o pressuposto de que só aos derrotados interessa saber os motivos, de que a questão é pecuniária. Mas é um avanço.

Não diz que os pareceres anônimos serão retornados, respondidos, fed back aos proponentes, mas dá para supor que sim. E, se for assim, chegará ao fim o desperdício do conhecimento produzido no processo de avaliação e a condenação da comunidade brasileira à não-aprendizagem com seus erros e acertos em propostas de pesquisa. Fica um pouco mais difícil a um avaliador, também, fazer impunemente um parecer incompetente ou coisa pior.

Talvez eu, com minha obcessão pela peer review, esteja vendo coisa demais nessas 2 sentenças. Sei que vozes importantes na comunidade acadêmica acham que o problema maior está na outra ponta - as propostas aprovadas que recebem financiamento, depois apresentam seus relatórios... e o que mesmo contribuíram? Talvez seja isso mesmo: o maior problema do financiamento à pesquisa é a falta de uma avaliação efetiva de resultados (e as atitudes que devem derivar dessa avaliação efetiva). Mas há um avanço. Peer review com feedback é um avanço. Com o quarto de século de atraso regulamentar (como ensina Maria da Conceição Tavares), já podemos discutir os problemas sérios da peer review legítima.

domingo, 4 de outubro de 2009

Mario y Mercedes, vitórias e tragédias

Meu último post 90 anos de Mario Bunge merece esta sequência. Fermín Huerta, um dos mais ativos contribuidores, postou no blog GrupoBunge o link de uma homenagem ao aniversário publicada pela revista política SinPermiso, composta por testemunhos de diversos acadêmicos que conheceram e foram influenciados pelo físico e filósofo argentino-canadense.

Dos 14 pequenos textos, tiro 3 pílulas para apresentar aqui:

  1. Esta pequena conclusão de Anna Estany (catedrática de Lógica e Filosofía da Ciência na Universitat Autònoma de Barcelona) que tanto nos diz respeito, aqui no EGC/UFSC, quanto aponta o filósofo portenho-esquimó como profeta dessa vanguarda que engrossamos:
    Parece que hemos llegado a un punto de inflexión en el que se necesitan campos interdisciplinares para abordar fenómenos complejos, y aquí es donde la figura de Bunge emerge como una alternativa para poder hacer reflexiones transdiciplinares.
  2. Esta pequena entrevista com Bunge apontada por María Manzano (também catedrática de Lógica e Filosofía da Ciência, mas em Salamanca) e concedida a seu filho Ulises Tindón, então pelolargo calouro universitário, com respostas a 4 perguntinhas tão condizentes com a idade do perguntador quanto encantadoras:
    ¿Qué recomendarías a un chico de mi edad como futura carrera?
    ¿Es la sociedad de hoy en día más justa que la que te tocó vivir en tu juventud?
    En mi libro de filosofía te consideran como uno de los representantes actuales del monismo emergentista ¿Consideras que esto se corresponde con la realidad?
    ¿Qué piensas sobre internet?
  3. E a mais bela das homenagens, que permite vislumbrar um pouco do que de melhor Bunge inspira: El Don del Fuego, por Rafael González del Solar (filósofo e tradutor argentino, professor de Filosofía na Universitat Autònoma de Barcelona):
    Los antiguos griegos intentaron explicar el mundo con sus mitos. El ejemplo en el que pienso acaba con el héroe encadenado a un monte mientras un águila le devora el hígado. Los mitos pueden inspirar y entretener, pero no describir o explicar; mucho menos, predecir. Hace mucho que no creo en dioses ni en demonios y sin embargo no he perdido la fe. Me refiero a esa confianza de ojos abiertos que tanto le gusta a Mario, la que está fundada en la razón y en la experiencia. Mi fe, mi confianza, está con los hombres, especialmente con aquellos que, como Mario Bunge, tienen vocación de titán.

O devaneio dominical por páginas espanholas também me permitiu o privilégio de encontrar, no mesmo dia da publicação, o que pensa Mario Bunge sobre El inicio de la decadencia política en Argentina, na edição atual (5) de SinPermiso, de onde extraio este trecho em que Bunge revisa um ato equivocado de políticos progressistas argentinos, entre eles seu pai (para ver qual foi o caso, siga o link acima; meu interesse aqui é na citação de Maquiavel):

El oportunismo o utilitarismo que predicó el eminente Niccoló Machiavelli se justificaba en una época en que los partidos políticos no se distinguían por sus principios y programas sino solamente por los intereses materiales que defendían.

Se esta época é passado na Argentina, para o Brasil parece o tempo atual na mais precisa descrição. Brasil e Argentina - eis uma dupla inexplicável para mim. Eles têm 2 nobéis de Medicina, 1 de Química e 1 da Paz (correção: 2, vide a lista dos 5 no total), nós... somos simpáticos. Eles têm (ou tiveram) Oposição, nós vamos no rumo do México dos tempos do PRI, Partido Revolucionario Institucional (para quem não conhece a História, esclareço que não é piada - o partido é, ao mesmo tempo, "revolucionário" e "institucional" e governou o México de 1929 a 2000). Eles sabem ler e escrever, nós... Eles lembram decadência e nós, "Yes, we créu!".

Ambos tivemos uma debandada de intelectuais durante as ditaduras militares. Os nossos voltaram, todos. Os deles, nem todos. Mario Bunge continua fora, para o bem dele e da humanidade. E não é que não tenhamos tido homens e mulheres de valor que lutaram e não transigiram quanto a seu caráter, sua integridade. Tivemos, mas de alguma forma não parecem à altura desta outra figura que nos deixa hoje. Mercedes Sosa, La Negra tucumana, já não canta por aqui. A homenageiam Las Madres de la Plaza de Mayo e todo o país, todo o mundo. Muito conhecida cantando Gracias a la vida, por mim é preferida em Los pueblos de gesto antiguo (abaixo, direto do YouTube).

Enfim, parodio a quem nem lembro quem foi que se saiu com esta: Clementina morreu, João Nogueira morreu, Vinícius de Moraes morreu, Mercedes Sosa morreu... e eu não ando me sentindo muito bem. Pero Don Mario sigue, firme y fuerte.



sábado, 19 de setembro de 2009

90 anos de Mario Bunge

Não gosto de "Parabéns a você" (prefiro outras coisas ridículas), mas devo falar sobre os 90 que Mario Augusto Bunge cumple nesta Segunda, 21/09/2009. Físico por formação, filósofo por vocação, filho de deputado e de família culta, parente meio distante dos criadores da empresa que leva seu sobrenome, criador da Universidad Obrera aos 18 anos (Perón faria o favor de fechá-la, em mais uma ratificação da tragédia argentina), há muito tempo professor da universidade McGill, canadense.

Cheguei a ele de forma algo fortuita, ao orientar uma dissertação de mestrado no EGC, interdisciplinar. Como é comum entre engenheiros orgulhosos da sua formação, as lacunas ficaram mais claras depois dos 40 (felizmente eu já vinha me preparando com a leitura de The Civilized Engineer).

Diferentemente de outras (tentativas de) incursões na Filosofia, Emergence and Convergence [texto quase completo no G. Books] "desceu redondo": claro, simples, denso, idéias poderosas. Bem diferente da conclusão que tiro das leituras de Deleuze e Guattari - cada 2 páginas caberiam numa sentença se os autores soubessem escrever, e ainda assim a densidade de idéias seria baixa. (A afirmação bombástica é apoiada pela explicação que me deu um amigo professor, bem mais conhecedor de Filosofia do que eu: "Esses filósofos escrevem muito mal").

Duas coisas funcionaram em conjunto para que eu virasse um bungeano instantâneo (desde meados de 2008):

  • A crueza e facilidade com que Bunge afirma "tal coisa é uma falácia". Os ataques diretos de Bunge facilitam o trabalho de quem não sabe e está querendo aprender. Fica claro o que ele afirma e o que ele refuta e fica fácil contrastar as coisas (na grande maior parte das vezes, no meu caso, o contraste apenas aumenta o tamanho da goleada pró-Bunge).
  • A simplicidade, originalidade e poder do modelo CESM (composition, environment, structure, mechanism), que eu passei a propagandear (alguns ppts aqui) e presentemente emprego numa abordagem à modelagem de sistemas, ainda por publicar. O que dá para adiantar é que, como tudo é sistema, o CESM permite desenhar modelos que podem ser discutidos por peritos de áreas diversas, inclusive da Informática, que é tecnocêntrica - ou seja, não se dedica a enxergar o todo (bem, nenhuma disciplina é diferente, nesse ponto), mas apenas a tecnologia e as entradas e saídas do sistema social.

Mas um blog post sobre o 90o aniversário requer uma conversa mais casual e agradável. Então, aí vão algumas pílulas bungeanas para divertir ou quem sabe até curar alguma dor de cabeça irracionalista (há mais algumas em Wikiquotes):

"Permítame que, con característica humildad porteña, le ofrezca algunos consejos sobre política internacional y nacional."
(Introdução de um artigo de opinião no jornal La Nación, no qual Bunge dá conselhos sobre política externa e interna a Barack Obama).

Duas pérolas da entrevista a Núria Navarro d'El Periodico, em julho último:

Repórter: ¿El poder siempre corrompe?
Bunge: No. No corrompió a Nelson Mandela, un hombre con sólidos valores personales y sociales. Alguien dispuesto a hacer el bien al prójimo. A luchar por la paz, la conservación del medioambiente, la igualdad...

Bunge: En septiembre cumplo 90 años.
Repórter: Pues luce usted muy juvenil.
Bunge: Eso es porque evito el alcohol, el tabaco y la posmodernidad.

Sobre a falácia da globalização em "Tres mitos de nuestro tiempo: virtualidad, globalización, igualamiento" (2001):
Por ahora sólo atraviesan libremente las fronteras el capital financiero, los gérmenes patógenos y las malas costumbres.

No primeiro texto da série que La Nación vem publicando mensalmente desde 09/07/2008:

Cuando en las ciencias o técnicas se afirma que cierto problema es insoluble, se exige una demostración rigurosa de tal insolubilidad. Y cuando un científico o técnico somete un texto a publicación, lo menos que exigen sus jueces es que sea inteligible. ¿Por qué? Porque los seres racionales ansían comprender y porque solamente los enunciados claros son susceptibles de ser puestos a prueba para averiguar si son verdaderos o falsos.
En las humanidades ocurre o debería ocurrir otro tanto, pero no siempre es así. Nietzsche le reprochó su claridad a John Stuart Mill. En cambio, Henri Bergson, pese a ser intuicionista, escribió claramente y declaró que "la claridad es la cortesía del filósofo". La oscuridad es grosera, porque supone que el interlocutor es incapaz de entender y dialogar.

E, finalmente, eis o que Bunge diz em vários artigos e outras publicações sobre a má fama conquistada pelos termos sistema e sistêmico:

Quando cientistas sociais rigorosos contemporâneos ouvem a palavra "sistema", eles ficam propensos a sacar suas armas intelectuais.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"Desejo e Reparação" no Auditório do CFH/UFSC em 30/9, 18:30 (Ciclo de Cinema e Psicanálise)

Divulgo mais uma sessão do XIV Ciclo de Cinema e Psicanálise, promoção do CEPSC (Centro de Estudos Psicodinâmicos de Santa Catarina):

Desejo e reparação
(Atonement
- verbete na Wikipedia em inglês e em português)
  • 30 de setembro de 2009 (Quarta-feira), 18:30
  • Auditório do CFH - UFSC
    Campus Universitário - Florianópolis
  • Entrada franca

Debatedores:

  • Luciana Saraiva – CRP 12/02118 – Psicóloga do CEPSC
  • Henry Dario Cunha Ramirez – CRP 12/03386 – Psicólogo e Professor - UNIVALI

Início do Debate: 20:30
Fone CEPSC: +55 (48) 3223-6422.

domingo, 23 de agosto de 2009

Funny witty story that made me think about this persisting educational trend toward exalting mediocrity

Yale Patt"Professor" and "inspiration" are kin words (or at least they should be). Every word tells in this funny, inspiring speech by professor Yale Patt (Electrical and Computer Engineering, University of Texas at Austin; see old photo from his homepage), at the IEEE 60th anniversary celebration in San Juan (Puerto Rico, 2006). It is called "The future of Computer * (Are we in serious trouble?)", the "*" meaning Science, Engineering, Architecture... you pick it.

It is very well worth its 44 min (plus 16 of question answering), but don't take my word for it: even if you're not into computer architecture or if you think you can't afford to watch the whole video, try this short story inbetween 39:24 and 42:16, in which professor Patt describes his old man's reaction to his winning a medal for losing.

I don't want to spoil the story, but if we had more people speaking out like this maybe we could get back on track in education, helping students to "get it" instead of helping them "feeling good about themselves" (or trying to, since it doesn't work). "You get a medal when you win; you don't get a medal when you lose". Professor Patt also talks about computer architectures, Moore's Law (on doubling chips' capacity), education in Computing, ..., quantum computing, NP-completeness, ..., marriage, cellphones, "football" (the one played with the hands), etc. in a very enthusiastic way.